Tese Setorial — Energia Elétrica

Análise

Tese Setorial — Energia Elétrica

· 3 min de leitura

Nossa leitura do setor elétrico parte da constatação de uma demanda estruturalmente crescente por eletricidade. A eletrificação avança de forma transversal na economia: do adensamento de data centers impulsionado pela inteligência artificial à expansão da frota de veículos elétricos, passando pela substituição gradual de utensílios convencionais por versões elétricas.

Esse movimento encontra respaldo em dados oficiais. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), projeta crescimento médio de 3,3% ao ano no consumo de eletricidade no Brasil até 2035. Trata-se de um horizonte de aproximadamente uma década de expansão sustentada da demanda, o que suscita uma questão central para a tese: a infraestrutura de geração e transmissão instalada está dimensionada para atender a essa necessidade crescente?

Nossa expectativa é de um novo ciclo de investimentos em expansão de capacidade e em soluções de eficiência. A inteligência artificial e a automação, além de vetores de crescimento e competitividade para a economia brasileira, são também intensivas em energia — o que reforça a trajetória de alta do consumo. Como efeito colateral relevante, a pressão sobre a matriz tende a acelerar a transição para fontes limpas e sustentáveis, tanto por exigência regulatória quanto por demanda dos próprios grandes consumidores.

Empresas em posição de destaque

Auren Energia (AURE3)

Avaliamos a companhia como bem posicionada nesse contexto, dada sua atuação em fontes renováveis e o desenvolvimento de projetos que buscam aproveitar excedentes de geração — como a energia eólica ociosa — para fornecimento direcionado a data centers. Iniciativas desse tipo endereçam simultaneamente dois pontos da tese: a monetização de energia que seria desperdiçada e o atendimento a um segmento de demanda em rápida expansão.

WEG (WEGE3)

A companhia figura como potencial beneficiária de uma das principais ineficiências do sistema atual: o curtailment, ou seja, o corte de geração renovável concentrada em janelas de pico — fenômeno recorrente, por exemplo, em usinas solares. Em fevereiro de 2026, a WEG anunciou a construção de uma nova fábrica de sistemas de armazenamento por baterias (BESS) em Itajaí (SC), com capacidade de até 2 GWh anuais e investimento viabilizado por financiamento de R$ 280 milhões junto ao BNDES, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. O armazenamento em larga escala é uma resposta direta ao problema do curtailment, permitindo deslocar a energia excedente dos horários de pico para os períodos de maior demanda — o que confere à iniciativa relevância estratégica no médio e longo prazo.

Síntese

O setor elétrico reúne, a nosso ver, os elementos que buscamos em uma tese de longo prazo: demanda estrutural comprovada por dados oficiais, horizonte plurianual de expansão e empresas com expertise consolidada e capacidade de reinvestimento em inovação. A transição energética não é apenas uma exigência ambiental, mas um vetor de crescimento com potencial de valorização para companhias bem posicionadas na cadeia de geração, armazenamento e distribuição.

Cordialmente,

Voltar para o blog