Aula 1 – Ciclos Macroeconômicos

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Aula 1 – Ciclos Macroeconômicos

· 5 min de leitura

Todo ciclo macro se resume a duas perguntas:

  1. O crescimento está acelerando ou desacelerando?
  2. A inflação está acelerando ou desacelerando?

Com base nestas duas perguntas criam-se 4 regimes. Cada regime tem classes de ativo que ganham e que perdem. É o “Relógio de Investimento” que gestores usam como base:

RegimeCrescimentoInflaçãoAção do BCQuem ganha?
Recuperação↑↓Juros baixos ou caindoAções + Crédito
Reflação /
Superaquecimento
↑↑Começa a subir jurosCommodities + Ações Cíclicas
Estagflação↓↑Juros alto, travadoCaixa + Ativos Reais + Dólar
Desinflação / Recessão↓↓Corta jurosTítulos Longos (Duration)

O segredo não é saber onde estamos, mas para qual regime estamos indo, porque o mercado precifica 6 a 12 meses à frente.

Contexto no Brasil

Aqui no Brasil este relógio gira com 4 motores.

Motor 1: Ciclo da Selic (o mais importante)

O Brasil é o país do juro alto, então quase tudo gira em torno de “o BC está subindo, parado no topo ou cortando?”. A regra de ouro: o melhor momento de comprar risco é o fim do ciclo de alta, não o início dos cortes.

Quando o primeiro corte acontece, a curva de juros já precificou tudo.

Moto 2: Risco Fiscal

Define o prêmio da parte longa da curva (NTN-B e prefixados longos) e o câmbio. Pode estragar um ciclo de cortes: a Selic cai, mas os juros longos sobem por desconfiança fiscal, e desta forma a bolsa não anda.

Motor 3: Commodities e China

O Brasil exporta minério, petróleo, soja e carne. Commodities em alta trazem dólar entrando, real forte, arrecadação maior e Ibovespa subindo (Vale e Petrobras pesam muito no índice).

Motor 4: Liquidez Global (Fed e Dólar)

Fed apertando e DXY forte fazem o dinheiro sair de emergentes. Fed afrouxando e dólar fraco fazem o fluxo estrangeiro vir para o B3. Os melhores ciclos da bolsa brasileira (2003 a 2007, 2016 a 2017) foram de dólar global fraco somado a commodities em alta e juros locais caindo.


De onde vem o PIB?

Consumo das famílias: tudo que as pessoas compram, como comida, roupa, carro e serviços. Corresponde de 60% a 65% do PIB.

Gastos do governo: salário de servidores, saúde, educação. Corresponde cerca de 20%.

Investimento: empresas comprando máquinas, construindo fábricas, imóveis. Cerca de 16% a 18%.

Exportações menos importações: o que vendemos para fora menos o que compramos de fora. Pequeno no saldo, mas volátil.


Crescer não é o mesmo que acelerar

Este é o ponto que gera confusão. Vejamos uma analogia para simplificar:

  • Velocidade = quanto a economia está crescento, por exemplo 2% ao ano.
  • Aceleração = se esse crescimento está aumentando ou diminuindo.
PaísTri 1Tri 2Tri 3Situação
Brasil1,0%0,6%0,2%Crescimento desacelerando
Argentina-0,5%-0,1%0,3%Retomando crescimento
Paraguai0,8%0,7%0,8%Estável

Neste exemplo, o Brasil ainda cresce, mas o mercado já trata isso como uma notícia ruim. A Argentina ainda está fraca, mas o mercado já trata isso como notícia boa.

Por que o mercado olha aceleração e não o nível?

Porque o preço do ativo reflete expetativa futura. Se tudo está ruim, mas melhorando, os lucros futuros das empresas vão melhorar, então as ações sobem antes da melhora aparecer no jornal.

O problema do PIB: ele chega atrasado

O PIB é divulgado pelo IBGE a cada trimestre, cerca de 2 meses depois que o trimestre acaba. Ou seja, o PIB de julho a setembro só sai no começo de dezembro. Se você esperar o PIB para decidir, chegou tarde.

Por isso, os analistas dividem os indicadores em 3 classes: antecedente, coincidente e defasado.

Antecedente: é o farol. Ele mostra para onde a economia vai. Exemplos, confiança, PMI e crédito.
Coincidente: velocímetro. Mostra como a economia está agora. Produção industrial, varejo, IBC-Br.
Defasado: o retrovisor. O que já aconteceu. PIB, desemprego.

Principais indicadores

Índce de Confiança (FGV) · Antecedente

  • O que é: uma pesquisa com empresários e consumidores perguntando “como você vê os próximos meses”.
  • Principais: ICI (Confiança na Indústria), ICC (Confiança do Consumidor), ICS (Serviços) e ICOM (Comércio).
  • Quem publica / quando: FGV IBRE, no fim de cada mês.
  • Como interpretar: 100 é a média histórica. Acima de 100, otimismo; abaixo, pessimismo. Mas lembre-se de que o que importa é a direção.
  • Por que antecede: o empresário confiante contrata e investe depois de ficar confiante. A confiança vem antes da ação.

PMI (Índice de Gerentes de Compra) · Antecedente

  • O que é: uma pesquisa com gerentes de compras de empresas, perguntando se pedido, produção, estoques e contratações estão maiores ou menores que no mês anterior.
  • Quem publica / quando: S&P Global, nos primeiros dias úteis de cada mês. Tem PMI de Indústria e de Serviços.
  • Como interpretar: a linha mágica é 50. Acima de 50, a atividade está crescendo em relação ao mês anterior. Abaixo, encolhendo.
  • O detalhe: dentro do PMI, olhe o subíndice “Novas Encomendas”. Pedido novo hoje é produção amanhã. Se novas encomendas passam de 50 antes do índice cheio, a retomada está começando.

Concessão de Crédito (Banco Central)

  • O que é: quanto dinheiro os bancos emprestam no mês para famílias e empresas.
  • Quem publica / quando: Banco Central, no fim do mês seguinte (“Estatísticas Monetárias e de Crédito”).
  • Como interpretar: crédito crescendo significa que as pessoas vão consumir e as empresas vão investir. Como o consumo é mais da metade do PIB, crédito é combustível direto.
  • Ligação com juros: o crédito depende muito da Selic (taxa básica de juros). Selic caindo tende a baratear o crédito, que aumenta, que puxa economia.

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